25 de out de 2013

DESEJO NOTURNO - Parte 2



      Dando continuidade a meus comentários e impressões sobre a discografia do Nightwish, falo do segundo álbum da banda, Oceanborn. Mistério e melancolia permeiam todas as canções. O título significa algo como “Nascido(a) do Oceano”, e este termo aparece na terceira música, e é um tipo de anticristo, talvez a Besta citada no capítulo Apocalipse, da Bíblia. O oceano é um elemento recorrente nas letras de todos os discos, pois tem uma grande importância para a Finlândia, país de origem dos integrantes.



         Este disco tem uma influência maior de bandas como o Stratovarius em sua sonoridade, principalmente na bateria acelerada em várias músicas, mas ainda mantém suas características principais: os vocais operísticos e o teclado abundante e com vários tipos de efeitos, do piano à flauta. O compositor e poeta Tuomas (teclados) é bastante inspirado em trilhas sonoras de filmes, para criar os “climas” das canções.
          O disco abre com Stargazers (Observadores de estrelas), abusando dos teclados na introdução e mantendo um aspecto sonoro de tragédia, como cenas de ação num filme de suspense. A letra é um drama/ficção espacial sobre a origem da vida. Em seguida uma de minhas músicas preferidas da banda, Gethsemane (é o nome do lugar onde Cristo foi capturado pelos judeus) tem uma sonoridade bem dramática sem deixar de lado o peso da guitarra, uma balada épica cuja letra mescla elementos religiosos e românticos em versos belíssimos como este: “Sem você/A poesia dentro de mim está morta”. Tem um vídeo no Youtube da banda tocando essa música num programa de televisão, vale a pena conferir.
              Terceira música de Oceanborn, Devil & The Deep Dark Ocean (O Demônio e o Oceano Escuro e Profundo) é bem pesada e rápida, e conta com a gutural voz masculina de um amigo da banda, um gordo que aparece no 1º DVD (From Wishes To Eternity – Live) revezando as estrofes com Tarja. A letra é um mau presságio sobre o surgimento do anticristo e sua ruína através de seu amor por uma virgem. Apenas os últimos versos falam de esperança. Sacrament Of Wilderness - que pode ser traduzido como Sacramento da Selva (ou da Selvageria ou da Natureza) – tem uma batida rápida, mas levada pelo piano e a voz, fica mais leve enquanto fala da paixão por caçadas e o desbravar da natureza numa terra mágica. É a única música do disco a ganhar videoclipe oficial, com Tarja mais uma vez pagando mico com o visual bem estranho, cabelo curto com umas folhas secas enfeitando o cabelo. Os outros integrantes todos com cabelo curto também são de estranhar, hehe.
            A próxima canção, Passion & The Opera (A Paixão e a Ópera), tem uma levada romântica dos teclados sem ser uma balada típica, e fala sobre sedução. Destaque para os vocais, os “gritinhos” de ópera que vão sumindo aos poucos junto com a música. Em seguida vem uma música bem calma, Swanheart (Coração de Cisne), um bonito poema falando de fé e encantamento nas pessoas.
            Moondance (Dança da Lua) é uma música instrumental com característica folclórica, lembrando musiquinhas da Oktoberfest, com direito a paradinhas para palmas e o típico “Hey Hey”, sem deixar nunca de lado o heavy metal, lógico. Tem partes agitadas e outra mais calma. A oitava música, com ritmo mais pop, quase “dançante”, The Riddler (algo como “O Senhor das Charadas”) foi a primeira da banda que ouvi e que me chamou a atenção principalmente para a voz de Tarja, vinha num CD que era uma coletânea de metal daquelas de revistas de rock que o Janderson tinha (ainda tem, acho). A letra fala de várias charadas, numa conversa com o desafiador do título.
            Penúltima canção, The Pharaoh Sails To Orion (O Faráo navega para Órion) começa com uma citação da Bíblia (Êxodo 10,28) e fala de deuses egípcios e profecias de ascensão deles às estrelas. Vocais masculinos guturais novamente revezando com Tarja, e na parte final, quando assume sozinha os vocais operísticos, a música torna-se um épico sonoro, transbordando de energia com solos de teclado e guitarra e a bateria rápida, num final emocionante. O álbum finda com Walking In The Air (Caminhando no Ar), outra canção romântica, que fica pesadinha no final, e cuja letra é também um belo poema sobre o sentimento e a fantasia de flutuar como num sonho.
            Simplesmente uma pérola do Metal Melódico este Oceanborn, e que felizmente ainda foi superado pela próxima obra a ser comentada aqui, no próximo capítulo. 

Capa alternativa, que eu tenho:

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