17 de abr de 2012

UM SHOW DO KISS É UMA EXPERIÊNCIA ENERGÉTICA TOTALMENTE INESQUECÍVEL *


Tardiamente, comecei a ouvir e conhecer o KISS, lá por 1996, ano do lançamento do acústico. Lembro da chamada da Mtv: “O que parecia impossível aconteceu: Acústico Kiss...”(até há alguns anos, este era o acústico mais vendido, não sei se já perdeu o posto, provavelmente sim).
O Jandinho já era fã, e o Enrico e o Dani já tinham bastante conhecimento da banda. Quando o Dani comprou o CD Double Platinum, de 1978, com regravações de sucessos, toda a galera começou a ouvir e a gostar, até as gurias que começaram a andar com a turma. O Kiss nunca foi uma unanimidade entre apreciadores de rock, que chamavam eles (trocadilhamente – essa é nova) de mascarados, mas nossa turma era exceção, todos curtiam.
O Kiss é (era/foi) polêmico por causa das máscaras, do sucesso, da língua do Gene Simmons, das lendas de o nome ser uma sigla satanista e de matarem pintinhos no palco, e principalmente por serem o reis do marketing, com gibis, bonecos, roupas, jogos de fliperama, refrigerante, livros, coletâneas e mais coletâneas, acho que até camisinha do Kiss lançaram. Deixa os caras fazerem dinheiro, ora bolas. Fã gosta de colecionar, uns mais, outros menos.  É um típico caso de ame ou odeie.



 Particularmente, o Kiss deve ter alguma relação com meu subconsciente, pois me parecem tão familiares aqueles caras num palco, como se me remetesse a algum momento bom da infância. Vai saber o que eu estava fazendo em 1983 enquanto assistia aquele show histórico deles no maracanã com 200 mil pessoas, televisionado pela Globo.  Além disso, com as máscaras, eles parecem super-heróis da vida real. E nisso, ganham minha simpatia.
Mas não estou aqui hoje pra falar de porquê sou fã, E SIM PRA COMEMORAR 9 ANOS DO SHOW QUE FEZ MINHA EXISTÊNCIA TER VALIDO A PENA.
Exageros à parte, no final de 98 (acho) já conhecíamos o “novo” lançamento do Kiss, Psycho Circus, primeiro disco de estúdio com a volta da formação original, que era CD-Rom também, pra época uma novidade. O Janderson havia adquirido o referido disco, e lembro que numa tarde de dezembro ou janeiro saiu aquela notícia que mexeu com nossos corações roqueiros: Confirmado o show do Kiss em Porto Alegre. Um dos primeiros com quem falei foi o Marquinhos, que ficou empolgado mas naquele ano foi na Fórmula 1 e não no show.

A partir daí eu acompanhava as notícias sobre o show, local de venda de ingressos (lojas AM PM), local do show (Jóquei Clube), entrevistas, letras e pôsteres na Zero Hora, propagandas na RBS que davam entusiasmo, anunciando um show em 3D, com uma banda clássica que fez história no hard rock mundial. Teve até uma noite especial em POA com várias bandas cover, numa delas cantava o vocalista do Rosa Tattooada, banda esta que no primeiro disco tem uma música com a letra idêntica à de Do You Love Me, e outra com um riff de guitarra igualzinho ao da introdução de Thrills In The Night, ambas do Kiss.
Se não me engano foi o Felipe Galgo que organizou (mas não foi) a excursão numa van, saindo de Pelotas. Na verdade eu só sei que, por algum milagre, meus pais não me cortaram quando falei desde que começaram os anúncios na TV que queria ir nesse show. “No máximo 100 reais o ingresso”, eu dizia. E não é que fomos ver o Kiss  com a formação original e maquiagem por apenas R$ 25,00?  Paguei R$ 80,00 pelo Nightwish que não tinha estrada como o Kiss! (mas tinha a Tarja, hehe). No mês do show também saiu uma minissérie meia-boca em quadrinhos do Kiss. O Jandinho ainda tem. A minha eu troquei.

15 DE ABRIL DE 1999

 Morando no Cassino, saímos eu e o filho de Jander para Pelotas, de onde, juntamente com Gordo (camisetinha comprada na Renner, como mexia o Pandolfo), Thiago (do Homero), Igor Martinez, Daniel e Diogo Sanes, Mauro Bender, Maicom “Alemão” Leite Ninho e o destacável Escovão, sentado ao lado do motorista, todos ouvindo uma fita do Kiss a todo pau em caixas com som horrível.
Chegando na capital, a van pára pra gurizada mijar, pois se contorciam de dor na bexiga de tanta cerveja bebida na viagem. Eu fui o único a não beber, acho. E o nosso “experiente” motorista aproveitou para perguntar aos transeuntes pra que lado ficava o Jóquei. Mais umas quadras e começamos a ver um êxodo de roqueiros jovens e coroas, caras pintadas e vendedores de plantão com fitinhas, camisetas e também maquiadores.
Na entrada já encontramos alguns mergulhões como o Claiton Lencina, assim como na saída encontramos o Enrico, Gui, Bia e Bruna e ainda o Robertão (Chupisco). Com a entrega do ingresso, ganhamos os óculos especiais para os efeitos 3D.




Entramos. Esperamos. Vaiamos e chamamos de veado o apresentador do Patrola. Mijamos. Cantamos músicas do Iron Maiden com uns caras que traziam uma faixa dizendo Tapera Rock City (hilário). Esperamos. Sufocamos. E curtimos o show do Rammstein, bem legal pra quem só conhecia Du Hast (da Atlântida). Cheios de efeitos especiais, fogo nas roupas prateadas, som eletrônico misturado à guitarras pesadas e um arco com um sinalizador, eles serviram como aquecimento. Só foi brabo de ver aquele tecladista com um instrumento SM (uma bola numa coleira) na boca encenando ser enrabado pelo vocalista com um pênis falso – simplesmente revoltante.
Depois começou a emoção. Movimento atrás das cortinas gigantescas, ao lado das colunas enormes que traziam escrito: KISS ARMY, o exército de fãs no qual estávamos incluídos. De repente, vi um vulto de permanente no cabelo posicionando-se perto do palco e não acreditei que ali estava  Paul Stanley. Meu coração acelerou. Então ouço uma voz forte gritando a frase clássica que dizia algo como Alright, Porto Alegre. You wanted the Best, you got the Best; The hottest band in the world: KISS.
Com essa introdução de Gene Simmons, as cortinas vieram abaixo ao som de uma explosão e a multidão pulou tanto que a gurizada se separou a ponto de nem enxergarmos mais uns aos outros. A música Psycho Circus acendeu o pavio de 25.000 pessoas presentes naquela arena. E ao som de vários sucessos novos e antigos, pulei e cantei por duas horas, assistindo o fraco mas competente Peter Chris, que no melhor estilo Roberto Carlos jogou rosas ao público cantando Beth, o bêbado Ace Frehley cantando Into The Void com sua roupa espacial de Doritos (que já foi pior) e sua guitarra com uma bombinha de fumaça e que subia por uma corda até o teto do palco.
E vimos o espalhafatoso Paul Stanley cantar muito, agitar o público, e passar voando acima e pertinho de nós para um mini-palco no meio da multidão ao som de Love Gun. Não sabíamos pra que lado olhar. Cantarolamos o solo de Detroit Rock City em uníssono também.
Atrás do palco um telão mostrava imagens diversas, cenas do videoclipe de Psycho Circus e outros filmezinhos. E quando a mensagem para pôr os óculos aparecia, os efeitos 3D mostravam imagens que pareciam sair da tela em nossa direção. O Dani ficou o tempo todo de óculos, hehe.
Na segunda metade do show avistei o Claiton e perguntei se tinha visto a gurizada. Ele me mostrou a direção certa e vi o Janderson e outros. Gritamos: Black Diamond, Black Diamond, enquanto os primeiros acordes da introdução eram tocados. Muitos caras à nossa volta olhavam surpresos pra nós, enquanto xingávamos todos de filhos da puta por não conhecerem as músicas clássicas.
Mas o melhor de tudo, claro, foi ver o demônio Gene Simmons tocar seu baixo com uma distorção gravíssima, agitar a galera fazendo mímica de chifres em sua cabeça, cuspir fogo e sangue e finalmente cantar Rock And Roll All Nite sob uma chuva de papel picado, o que marcava o fim do show.
Lamentar algo é um pecado, mas faltou I Love It Loud, que a galera pediu bastante, e o vôo de Gene durante God Of Thunder, e olha que ele fazia sinal pros técnicos de palco...
   Na saída encontramos o resto da galera e fomos procurar nossa van, que tinha sumido. Um frio do cacete. Tomamos uns 3 refris de lata cada. Deitamos no pasto do estacionamento enquanto todos os outros ônibus partiam. O “responsável” motorista foi visitar alguma “china” dele em Canoas, como disse o Gordo, em vez de descansar pra viagem de volta. Não é à toa que adormeceu várias vezes na estrada em plena madrugada. Mandamos lavar o rosto e tirar uma soneca no Grill, onde encontramos a Maria Hylma (hoje minha chefa) numa excursão, que olhou pra dentro da van e perguntou: “O Igor não vinha com vocês?” Alguns hesitaram, uns queriam avisar, mas resolvemos dizer que ele desistiu na última hora, pois a Maria é apavorada e ia nos mandar voltar para buscá-lo.
Pra quem não sabe, não encontramos o Igor na saída e o deixamos em Porto Alegre. Que palhaçada! Mas no final ele sobreviveu.
A gurizada mexia comigo porque fiquei apavorado com o fato, mas se fosse comigo, eu tava f*d*do, já que não sabia o telefone ou endereço de ninguém na capital, em Pelotas e nem em Sta. Vitória, e não tinha levado dinheiro de sobra ou meu cartão do banco.
Mas fui A UM SHOW DO

  E JÁ POSSO MORRER FELIZ!

Tempos depois assistimos ao filme Detroit Rock City, que ainda não foi lançado em DVD no Brasil.

E o Jandinho botou na nossa sala um pôster horrendo do Kiss em que os integrantes estavam rodeando uma mulher com uma máscara de couro e o corpo sujo de sangue, além de outro pôster com o rosto gigante do Gene na porta do quarto dele. E todo dia 15 eu falava: Hoje faz tantos meses do show do Kiss!
Já passram mais de 10 anos. Já tava na hora de um repeteco!
E quem foi que conte sua versão da história!




* O título adaptei de uma frase no documentário Exposed: “A Kiss concert is a tottaly energetic unforgetable experience”. 

ESTE TEXTO FOI PUBLICADO ORIGINALMENTE NO PRIMEIRO RAPSÓDIAS. SEGUEM OS COMENTÁRIOS FEITOS NA ÉPOCA: 


[Ico] [fred@digistar.com.br]
Bem, eu posso dizer que já tinha assistido ao Kiss no Monster em São Paulo em 94 (acho), com o Eric Singer e o Bruce Kullick e foi um dos melhores shows que já assisti. Primeiro porque foi a turnê do Alive III que é um baita CD ao vivo. Segundo porque eles tocaram muita música dos anos 80 (da minha época) e terceiro porque o Eric e o Bruce são infinitamente melhores que os velhinhos Peter e Ace (este então, no show de Porto Alegre parecia que recém estava aprendendo guitarra). Mas realmente o show de Porto Alegre foi marcado pelas máscaras e vôos do Paul que não teve em São Paulo. E foram dois shows totalmente diferentes. Mas hoje eu não gostaria de ver um show do Kiss sem as músicas dos anos 80 (I love it Load, Thrills in the night, Heaven´s on fire, Lick it up, etc.) que tanto fizeram parte da minha juventude. Abraços. Ico

17/04/2008 13:16
[Pandolfo]
Se acabou não sei, mas no site do Kissarmy, tem fotos com a propaganda da nova turnê Alemã, que é em maio se não me engano.

15/04/2008 17:39
[Kacius]
É hoje! 9 anos! Parabéns aos que foram!

15/04/2008 12:58
[Kacius]
Tudo bem, os discos não superam, mas que eles dão outra sonoridade dão, pra mim as versões com eles melhoraram o que já era bom. Outra coisa, o Kiss fez fama de satanista com músicas que falam de amor!
Quem explica? Love Gun, DR. Love, Do You Love Me,I Still Love You, etc. Ah, e o Paul Stanley Declarou semana passada que pode sair do Kiss. Não acabou ainda? Quem explica? Ele disse que o Kiss não depende do número de integrantes originais. Pra mim no futuro todos vão sair da banda e deixar outros músicos levando o nome Kiss. Ridículo, mas é mais uma maneira de fazer dinheiro com direitos autorais, hehe.

14/04/2008 17:07
[daniel] [www.mondorock.zip.net]
Continuação do comentário, que já estava excedendo os caracteres... 7)Podes ter certeza de que o show não custaria essa bagatela hoje em dia. Aliás, para mim tinha o preço tinha sido R$ 20, R$ 25 era o Metallica! 8)Até hoje não esqueço o alívio que senti quando a van parou para o mijadeiro coletivo... 9)Podem falar o que quiserem (inclusive eu falo) do Kiss, que são marqueteiros, oportunistas etc. Mas que sabem fazer um show, isso não tenho dúvidas! E quanto às deficiências técnicas do Peter,vale o que sempre digo em relação a qualquer banda: a química que funcionou de fato foi a da formação clássica, mesmo com toda a limitação do sujeito. Eric Carr e Eric Singer são bateras mil vezes melhores, mas os discos que gravaram com a banda não superam os clássicos dos anos 70.

13/04/2008 21:50
[daniel] [www.mondorock.zip.net]
Vou enumerar tópicos como geralmente faço aqui: 1) Fui EU quem organizou a excursão, rapá!!!! O Galgo, pra variar, só se pilhou... 2) Encontramos uma galera lá,inclusive a Turquinha, que ficou umas duas músicas sentada nos meus ombros (eheheh!) 3)O show foi brilhante, mas se ocorresse outro agora acredito que seria exatamente igual, pois os caras não lançaram mais nada... 4) Os modistas sonhavam que ia tocar "We are one", aquela que tocava na Atlântida na época, lembras? 5)Lamento que o Peter cantou "Beth" com um playback daquele pianinho brega da original. Seria melhor se fizessem a versão acústica. 6) Sobre o Igor, não tínhamos muito o que fazer. O cara da van não queria esperar, nós éramos apenas guris e, além disso, é bom lembrar que só saímos dali mais de uma hora depois, tempo suficiente para o cavaleiro ter aparecido, não?

13/04/2008 21:45
[thiago] [thiagomerg@gmail.com]
Foi muito animal, mesmo!!! Só não gostei do tapa na cara que levei duma lôca gorda só porque pedi licença na multidão para "mulher grávida". O cara vai ser educado e olha o que acontece.

12/04/2008 19:10
[Pandolfo]
Massa!!!!!!!!!! eu não descreveria melhor. Não me esqueço quando um bombadinho, filho da puta, próximo ao palco passou na minha frente, com a namorada nos ombros... Falei: "...sai da frente, desce daí senão vamo emfiá a mão no c* da lôca!" O cara ficou olhando... e como era mais forte fiquei quieto. Mas a parte mais animal foi quando os putinhos da moda, vestindo camisetas da Rener (que conheciam no máximo, Rock n'roll al night) não conheciam a introdução de Black Diamond e ficavam olhando apavorados, quando eu olhava para o Rapsodias e chingava: "Animal!!! é Black D, e vocês, cambada de FDPs, não conhecem". Abraços

11/04/2008 09:36
[Rato] [blogdorato.blogueiros.net]
Lembro que conheci Kiss na mesma época entre 95-96, logo comprei o acústico e decorei todas as musicas. Esse show foi muito badalado
na época, lembro que toda hora aparecia na televisão e destacavam com a maior banda do mundo( uns meses depois veio o Metallica e anunciavam como a maior banda do mundo hehe). Alguns colegas da faculdade foram no show e tiveram a mesma opinião que tu: um verdadeiro espetaculo de luz e som. Parabéns aos que foram, este é um dos únicos shows que de fato me arrependo de não ter ido. Abraço

10/04/2008 16:14


 

11 de abr de 2012

A SAGA DE ROCKY


           Mais uma vez este nostálgico blogueiro traz à tona reminiscências de uma época saudosa, e relembra os filmes que marcaram a época de minha infância. Desta vez comento a série Rocky, de Sylvester Stallone, que escreveu o roteiro de toda a série e dirigiu as partes 2, 3, 4 e 6.
            Andei revendo os 5 primeiros filmes da série e em breve vou assistir novamente o último capítulo, Rocky Balboa. Esta é uma série que vale a pena adquirir.



            No ótimo Rocky, Um Lutador, ganhador do Oscar de melhor filme de 1976, vemos um personagem pobre, que ganha uns trocados com lutas de boxe nada profissionais (regras não eram respeitadas) e também fazia cobranças para um agiota, agindo com violência. Por saber disso, Mickey, dono do ginásio onde Rocky treinava, o expulsa. Seu amigo Paulie apresenta Rocky a sua irmã Adrian, tímida e empregada numa loja de animais de estimação, e passam a namorar. Eis que surge Apollo Creed (Doutrinador, na dublagem brasileira), campeão mundial dos pesos pesados que iria fazer uma luta na Filadélfia (lar de Balboa) em pleno réveillon,  mas seu adversário adoece e numa jogada de marketing, ele decide dar chance a um desconhecido, para mostrar o espírito de oportunidade da América. Apollo pessoalmente escolhe seu adversário pelo apelido: Garanhão Italiano (Stallion – que remete ao nome de Stallone). Mickey procura Rocky dizendo que essa é uma oportunidade para os dois, que tem muito a ensinar, mas Rocky, magoado, o renega primeiramente, depois aceita.
Como em quase todos os filmes da série, é impossível não se empolgar com o treinamento de Rocky, embalado pela música clássica do filme: Gonna Fly Now. Dá vontade de sair correndo pelas ruas e se exercitar como ele. E a cena onde ele “bebe” cinco ovos crus? Bah! O filme, que eu classifico como um drama com ação, tem um final coerente, pois Apollo vence por pontos e Balboa consegue seu objetivo, que era mostrar que não era um lutadorzinho qualquer e que tinha algum valor na vida, que não era um perdedor, que agüentava até o último round e é claro, ganhar algum dinheiro.
            Rocky II – A Revanche (1979), começa do ponto onde termina o primeiro filme. Rocky pergunta no hospital se Apollo deu tudo de si na luta. Ele diz que sim e Rocky se orgulha de si mesmo, casa com Adrian, compra casa, carro, tenta fazer uns comerciais, mas não sabendo ler direito, não dá certo. O Garanhão Italiano tenta outros empregos em escritórios, quer ganhar a vida sentado, mas nada consegue a não ser trabalho braçal num açougue, de onde é logo demitido por necessidade da empresa. Para não depender do salário da mulher, que está grávida, Rocky aceita uma revanche com Apollo, que disse ao final da primeira luta que não haveria revanche, mas foi rechaçado pelos fãs, que diziam que Rocky merecia ter vencido e desde então pressionava Rocky. Rocky procura Mickey, que diz que ele vai ser massacrado pois perdeu parte da visão na 1ª luta. Adrian inicialmente não quer que Rocky lute, e fica em coma com o nascimento prematuro do filho depois de uma discussão com Paulie. Ao acordar, porém, dá seu apoio ao marido, que é canhoto mas treina com Mickey e aprende a usar o braço direito e ficar imprevisível. Numa luta empolgante, ele cai junto com Apollo no 15º round mas, ao contrário dele, consegue levantar a tempo e fica com o título. Mais um filme excepcional.



            Rocky III – O Desafio Supremo, de 1983, é um típico filme caça-níquel, mais previsível que os anteriores e com uma fórmula infalível, mas bom mesmo assim. Rocky tornou-se celebridade, aparecendo em programas de televisão e comerciais de todo tipo (nisso o filme é estranho, pois o cara não conseguia ler direito no outro filme e por isso não deu certo), ganhou várias lutas. Faz também uma luta ridícula de demonstração com o campeão de luta livre Thunderlips (Hulk Hogan). Ele fala em se aposentar, mas é insultado por um lutador pobre com cara de mau (Mr. T), que o desafia e ofende sua esposa em público, o que faz Rocky aceitar, contrariando Mickey, que conta que suas lutas têm sido arranjadas com caras fracos para ele manter o título. Balboa treina no meio de fãs, sem se concentrar nem levar a sério. A caminho do ringue, Mickey (que estava até morando com a família de Rocky) passa mal, o que desconcentra ainda mais o campeão. Ele é nocauteado e perde o título, e depois Mickey morre em seus braços.  Apolo então se oferece para treinar Rocky, que só consegue se animar depois de uma dura de sua esposa Adrian. Ele aprende a ginga dos pés, faz natação para desenvolver músculos inativos e, na luta final, usa a estratégia de se deixar bater para cansar o inimigo e depois o massacra. Como pagamento pelo treinamento, Apollo quer um titã-teima a sós com Balboa, no finalzinho do filme, numa cena legal que só mostra a trajetória do primeiro golpe da luta. Nesta 3ª parte da saga de Rocky, surge na trilha sonora Eye Of The Tiger, da banda Survivor, que virou clássico.


Lançado em 1985, Rocky IV é totalmente comercial e cheio de momentos musicais, com poucos diálogos e muitas imagens dos outros filmes. Esta 4ª parte apresentou Dolph Lundgren como Ivan Drago, um superatleta russo. Em plena guerra fria, os ânimos esquentaram com a tentativa de ingresso da União Soviética no boxe profissional. Rocky não estava interessado no desafio, mas Apollo, parado há 5 anos, queria lutar de novo e pediu o apoio de Balboa. Provocativo como sempre, teve até show de James Brown em sua apresentação, mas se deu mal, pois Drago acabou matando-o com seus golpes. Sentindo-se culpado por não jogar a toalha a tempo, Rocky entra encara o desafio de lutar com o russo em seu país, mesmo não tendo permissão do comitê de boxe profissional. Enquanto Ivan treina com alta tecnologia (e anabolizantes), Rocky treina de um jeito rústico, cortando lenha e correndo na neve, sempre com o apoio de Adrian, Paulie e o antigo treinador de Apollo. A luta, como sempre, apresenta muitos rounds com Rocky apanhando muito, mas resistindo. Drago chega a falar: Ele não é humano, é um pedaço de ferro”. Como sempre, um esforço sobre-humano dá a vitória a Balboa, que agradece ao público, que antes hostil, passou a gritar seu nome admirando sua força de vontade. E manda uma mensagem aos governos, dizendo que todos podem mudar. E quem lembra o robô ridículo que Rocky deu a Paulie no começo do filme? O filme, na minha opinião, é médio.
 Com o mesmo diretor do primeiro filme, Rocky V, de 1990, é o pior de todos. Falta ação, carisma, música e Rocky no ringue.  Voltando da União Soviética, Balboa anuncia a aposentadoria. Como sempre, aparece um empresário inescrupuloso desafiando o campeão para uma luta com um novato. Adrian descobre que Paulie deu uma procuração com poderes totais ao contador, que perdeu toda a fortuna da família. Rocky considera lutar, mas os médicos dizem que a luta com Drago deixou lesões cerebrais. Eles voltam à antiga casa de Adrian na Filadélfia. Rocky, agora dono do antigo ginásio de Mickey, é abordado por Tommy Gunn, boxeador novato que ganha a confiança de Balboa, que o treina (deixando de dar atenção ao filho, que está com problemas com valentões na escola. Mas o empresário que queria fazer Rocky lutar de novo seduz Tommy com dinheiro e mulheres. Tommy, sem Rocky ganha o título do atual campeão, mas todos desfazem dele, que provoca Rocky e acabam brigando na rua. Dizem que o ator que interpretou Tommy Gunn era boxeador e se contaminou com o vírus da AIDS através de contato com sangue de outro lutador, não sei se é lenda ou não. E o menino que interpreta Rocky Jr. é Sage Stallone, filho de Sylvester. É a 1ª vez na série que aparece o nome verdadeiro de Rocky – Robert. Ainda bem que pra fechar melhor a série Stallone resolveu fazer em 2006 o filme Rocky Balboa, que é cheio de boas lembranças dos outros filmes. É triste ver Rocky velho e viúvo de Adrian (a atriz havia perdido seu marido na vida real e não quis participar por causa das cenas de morte). No filme, Balboa tem um restaurante e vive de contar histórias de lutas aos clientes, até que um programa de televisão simula uma luta entre Balboa em sua antiga forma e o atual campeão, dando a vitória a Rocky. Incomodado, o campeão acaba aceitando o desafio, mas Rocky quer dar sentido a sua vida e novamente contrariando a todos, treina com o que tem a mão para resistir tudo que pode no ringue, e consegue. 



Novamente temos um filme coerente, mostrando a vitória do adversário por pontos, e mostra os desafios de Rocky para vencer as dificuldades impostas pela idade (atrite, etc), fazendo com que trabalhe o que tem de melhor, como força bruta. Os personagens clássicos da série estão lé e nossas lembranças da infância também. Há também um início de romance com Marie, que no 1º filme tinha 12 anos e andava com más companhias e Rocky deu-lhe uns conselhos. Por essas e outras é um filme que une as duas pontas da história para fechar um ciclo de sucesso, com elementos autobiográficos de Stallone, que depois lançou-se em Rambo IV e desapareceu até Os Mercenários!