14 de jun de 2013

Sociologia 2 - Fera Neném

            Vimos na primeira parte desta algumas questões de interesse para quem gosta de sociologia. O assunto de hoje aborda simplesmente um tesouro para estudo da ciência social (mais que o Big Brother pelo menos).
            Não é por acaso que Rudyard Kipling tenha escrito O Livro das Selvas, que conta a história de Mogli, o menino-lobo. Kipling nasceu na Índia, onde o caso de meninos-lobos era abundante.
            Feral child ou wild child (crianças selvagens) são definidas como pessoas que de 0 a 7 anos viveram isoladas de contato humano e, assim, tornaram-se incapazes de socialização e aprendizado normal da linguagem. Cerca de uma centena de ocorrências foram registradas até hoje. Um dos casos mais conhecidos é o do garoto Victor de Aveyron, descoberto em 1797 e retratado no filme O Menino Selvagem, de François Truffaut de 1969. 

      
   
   Em 1828, o jovem Kaspar Hauser foi encontrado vagando em uma estrada de Nuremberg, desumanizado, aparentando 16 anos, com o passado envolto em mistério, comentava-se que era o herdeiro da coroa de Napoleão Bonaparte, o que teria motivado seu assassinato (filme: O Enigma de Kaspar Hauser, de 1974). Mais recentemente, em 1970, a menina Gennie foi achada na Califórnia depois de passar 13 anos enclausurada em completa escuridão.

            Há o caso das meninas indianas Amala e Kamala, descobertas em 1920 pelo sacerdote J.Singh, vivendo entre lobos na floresta de Midnapore. Kamala tinha cerca de oito anos e Amala não passava dos três. Completamente animalizadas, as crianças tinham desenvolvido a musculatura de modo que só podiam andar de quatro, eram notívagas e nutriam-se exclusivamente de leite e carne crua. Nunca desenvolveram linguagem. Amala morreu logo, menos de um ano depois do resgate. Kamala sobreviveu ainda por nove anos. No deserto da Síria, um garoto com idade entre 10 e 15 anos foi encontrado em 1946. Adotado por gazelas (não riam).Eis as fotos:

O menino-gazela e as irmãs criadas por lobos.


           Repare neste processo de desumanização ou animalização, que ocorre com crianças que foram mantidas em isolamento completo durante muitos anos, de tal maneira que não desenvolveram qualquer característica de socialização, sendo incapazes de falar e se movimentar de maneira normal.
            A análise destes fenômenos demonstra, claramente, que a condição humana não é decorrente de uma mera programação biológica, mas resulta de todo um processo de interação entre as pessoas e a cultura. Resta saber onde os primeiros humanos foram buscar os exemplos de sociabilidade que fizeram a espécie evoluir da animalidade para a civilização. Esse é um mistério que os antropólogos não conseguem entender e faz pensar sobre as mitologias que falam de instrutores "divinos" que teriam retirado os primeiros hominídeos do estágio de selvageria para conduzi-los ao estado de verdadeira humanidade.

Fonte: várias.

Para mais casos: http://sofadasala.vilabol.uol.com.br/noticia/feralchildren.htm

             Resumindo: sem ser criado num ambiente humano, não nos tornamos humanos.
             Há ainda um caso de uma menina de 9 anos que teria vivido cerca de 5 anos na floresta, num teste, colocaram um coelho para ver sua reação ao animal manso e fofinho. Ela agarrou, rasgou a barriga e começou a devorar o bichinho!
            Então, embora tenhamos nossas ideias subversivas, vontade de ser um errante no mundo e fases de rebeldia, dá pra ver que temos que ter cuidado e não exagerar nos conceitos de criar uma sociedade alternativa. Dizem que as crianças perdidas relataram todas terem tido uma visão de Axl Rose descabelado no começo da carreira dizendo a todos: Welcome to the jungle!!!

            Psssssssssss, nada a ver, cala a boca, rapá (comentário auto-depreciativo que eu mesmo me impus).

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