26 de jun de 2013

Clássica história para um Clássico



 
             A primeira vez que ouvi falar de Bob Dylan foi ao saber que era dele originalmente o sucesso Knockin’ On Heavens Door, que o Guns N’ Roses transformou em hit nos anos 90. Não posso dizer que conheço muito de sua história ou obra, quero ver ainda o filme Não Estou Lá, que conta algumas histórias verídicas e lendas do artista. 



            Mas deixem-me falar de um disco em particular e minha história com ele.
            Fazia eu vestibular em 1998 para engenharia química em Rio Grande. As provas eram pela manhã em 3 dias diferentes, eu estava ficando no kitnete onde minha tia Luiza morava e todas as tardes, antes de sair para recorrer bancas atrás de gibis raros, eu ouvia as fitas K7 dela num sonzinho minúsculo, que eram umas 4 ou 5. A única que me agradava era do Bob Dylan, Desire. Era de um ex-namorado que acabou deixanbdo na casa dela. Não era bem rock, com exceção da primeira faixa, parecia um country/folk bem de raiz, uma música quase “sertaneja”. Eu ouvia e ouvia e ouvia sem parar de virar os lados A e B. Mas a primeira era a melhor, mais trabalhada e agitada.
  Alguns anos depois, já estudando Letras na Furg, acredito que em 2000, chego em casa da aula e vejo o Maicom “Alemão” Lettninn e Janderson “Pandolfo” Oliveira, com quem morava, empolgados com uma música que acabara de tocar na rádio Atlântida: “Ba, tinhas de ouvir, Cássius, que sonzeira tava tocando!” – algo assim. Disseram que era do Bob Dylan e que tinha violinos, bem comprida, mas não lembravam o nome. Eu remexi os miolos, lembrando da fita da minha tia e tasquei: “Não era Hurricane?” – “Isso!”, disseram os guris. Contei da fita e eles pediram na hora pra eu conseguir emprestada. Ouvimos várias vezes, e eles gostaram das outras também.
            Tempos depois ouvi sobre o filme “Hurricane – O Furacão” com Denzel Washington, algum dos guris disse que a música tocou durante o filme. Lembrei de pedaços da letra e associei com o assunto filme, sobre boxe.
O filme conta a história real de um boxeador negro (Rubin Carter) condenado injustamente e que passou décadas preso até provarem sua inocência. Bob Dylan fez a música de protesto contra o racismo, pois a condenação foi feita sem muitas provas. A letra conta sua história até ser preso. O filme mostra um flash do cantor executando a canção.
 O Goia me contou certa vez uma “lenda”: Bob Dylan e Mick Jagger discutiam e Bob arrasou ao dizer algo como: “Eu poderia ter composto uma Satisfaction, quero ver vocês fazerem uma Hurricane!”
Nota-se na sonoridade, que mesmo na época do lançamento (1976), o disco ( e seu sucesso) se sustentava na qualidade do artista e sua liberdade de criação (e ideológica), agradando a quem agradar, sem apelo comercial.
Comprei o cd Desire por R$ 10,00 em Pelotas há alguns anos. O que falar das outras músicas? São calmas, relaxantes, longas, são apenas 9 ao todo. Sara (em homenagem a sua esposa), Black Diamond Bay, One More Cup Of Coffe, Isis, Oh Sister, Romance In Durango (Fagner gravou como “Romance no Deserto” - nunca ouvi), Mozambique, Joey (que ganhou uma versão em português – Joquim, de Vitor Ramil) tem banjos, violões, gaita, violinos, a voz aguda e o sotaque forte do cantor. Parece uma triste trilha sonora e romântica de um filme antigo de mocinhos e índios que assistíamos aos domingos com nossos pais, em algum recôndito saudoso da infância, sem muita preocupação, nem pretensão de levar esta maldita vida agitada de hoje em dia.
E tenho dito! (hehehe)

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