6 de set de 2013

Desejo Noturno - Parte 1



           Podem pensar que é coisa de gordo, que assalta a geladeira na madrugada, mas não é isso, pretendo falar sobre a banda finlandesa Nightwish, cujo nome significa justamente isto que usei como título (menos a PARTE I, claro). Comentarei a discografia desta banda que tem influência em seus compatriotas do Stratovarius e Sonata Arctica, e noutras bandas como Angra e Sepultura, do Brasil.





            O Nightwish surgiu em 1997 como um projeto acústico de Tuomas Holopainen, integrante de outra banda pesadíssima - Darkwoood My Betrothed. Para conseguir uma sonoridade original, ele chamou uma colega que estudava canto lírico, Tarja Turunen. Fizeram belas canções em finlandês (que língua desgraçada!) e outras em inglês, gravaram e conseguiram contrato para um disco, colocando então a guitarra de Emppu Vuorinen e bateria de Jukka Nevalainen no clássico Angels Fall First. No baixo a banda contava com Sami Vänskä.





            As letras com poesia gótica e os teclados quase religiosos, aliados à uma batida forte e bem trabalhada da bateria e à magnífica voz operística da vocalista deram uma sonoridade bem original ao metal melódico que permeia o disco. Saíram duas versões, a segunda com mais músicas, inclusive algumas instrumentais e outras em finlandês. O Inglês de Tarja ainda era fraquinho.
            O disco abre com Elvenpath, bem agitada e falando de elfos e criaturas de contos de fadas. Depois temos, ainda dentro desta temática, Beauty And The Beast (A Bela e a Fera), com uma grande introdução e a letra é um diálogo entre os dois personagens. Em certa altura a Bela diz para a Fera uma frase tudo a ver quando analisamos a mentalidade de muitas mulheres: “Perdoe-me, eu preciso de mais do que você pode me oferecer!”. Interesseira, não?
            A terceira canção é The Carpenter (O Carpinteiro), bem calma e infelizmente a voz masculina (do Tuomas) desta canção deixa a desejar. A letra é religiosa, o carpinteiro em questão é Jesus. Única música do disco a ganhar videoclipe, com Tarja bem estranha, bochechuda e com visual de bruxa. Astral Romance vem em seguida, com vocais dobrados de Tarja falando de amor e de constelações, com uma sonoridade romântica e misteriosa, marcada pelos teclados.




            A canção título do álbum, Angels Fall First é do projeto acústico do início da banda e mantém essa característica, tendo apenas voz, violões e flauta (ou teclado), com a letra falando de crianças mortas prematuramente e um sentimento mórbido de se consolar sabendo que elas viram anjos (as crianças são os anjos que “caem” primeiro, como diz o título, algo como “os bons morrem antes” em português). Tutankhamen fala do faraó Tatankâmon e uma mulher devota que, durante a expedição que descobre seu sarcófago, quer revivê-lo para desposá-lo. Tem teclados simulando um clima egípcio. Uma das mais fracas do disco, na MINHA opinião, mas longe de ser ruim.
            Uma de minhas preferidas neste álbum, Nymphomaniac Fantasia (depois me chamam de tarado) tem uma letra levemente erótica, com um eu-lírico feminino pedindo chumbo (hehe, análise literária animal), os teclados são o destaque, criando um clima de drama, paixão e mistério. Sabe por que o rouxinol canta? Essa é a tradução do nome da mais pesada e rápida do disco, Know Why The Nightingale Sings, falando poeticamente sobre liberdade e a alegria de estar vivo, uma descoberta da natureza e de sentimentos bons.
            Lappi (Lapland), que significa “Terra dos Lapões”, são quatro músicas interligadas numa só: Erämaajärvi (acústica, em finlandês), algo como “Lago Selvagem”, Witchdrums (instrumental), This Moment Is Eternity e Etiäinen (instrumental também), cujo significado não faço ideia. A terceira parte é a mais chata, muito longa.
            A versão que eu tenho conta ainda com duas músicas, Once Upon A Troubador (Era Uma Vez Um Trovador), uma canção sobre um menestrel errante galanteando uma taberneira ignorada pelos clientes (trovando uma mucra, hehe). Tem ritmo bem folclórico, com instrumentos de corda diferentes e o teclado com som de cravo (infelizmente mais uma vez a voz masculina – de Tuomas? – é muito atonal). Por último, A Return To The Sea (Um Retorno Ao Mar), também entediante, falando sobre o ciclo da natureza no futuro da humanidade e citando até espécies animais aquáticas microscópicas de onde a vida na Terra se originou e para onde irá.
            Enfim, um disco muito bom, com mais qualidades do que defeitos, que tinha uma sonoridade que infelizmente se perdeu ao longo da discografia. Evoluíram, sim, mas algo se perdeu no caminho. Assim como a banda brasileira Raimundos, que iniciou mesclando forró com hardcore, o Nightwish começou mesclando a cultura de seu país de origem com o heavy, o que deu ótimos resultados e alavancou o nome da banda rumo ao estrelato.  

P.S.: Quanto ao nome da vocalista, pronuncia-se "Tária", já o batera, o som do J deve ser pronunciado como i, ou seja: Iukka.

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