27 de set de 2013

Caderno de Cultura Pop - CRIAÇÃO DE UM MITO



Olhando em retrospectiva, é fácil ver como foram criados os mitos dos valentões do cinema de ação dos anos 80 e 90. Digo isso porque andei revendo o filme Comando Para Matar, com Arnold Schwarzenegger. 



            Nesse clássico, Arnold é John Matrix, ex-comandante de um pelotão de guerra que não quer saber de mais missões e blá-blá-blá, num clichê total, que nem o Rambo do Stallone (até o nome John).
            Tudo bem, o Rambo era mais solitário, não tinha filha e era mais traumatizado, o que lhe dava mais profundidade. Aliás, eu sempre gostei mais do Stallone que do Schuazeca, embora Hollywood prefira o ex-governador da Califórnia e digam que ele atua e o Sylvester não (bom, ele é político, provou que atua mais mesmo).
            O intérprete de Conan variou mais seus papéis, fez mais comédias e ...acho que só. Filmezinhos simpáticos como Irmãos Gêmeos e Um Tira no Jardim de Infância e alguns onde as situações beiravam as frias de 007. Em True Lies ele usava um smoking por baixo da roupa de mergulho, que nem o Bond. Ele ganha pontos com Predador e Exterminador do Futuro (o 2 com certeza é um dos melhores filmes de ação e ficção que existe).
O Stallone fez papéis mais dramáticos, mesmo porque tem paralisia facial e não consegue sorrir, eu acho. Mas cito vários filmes com o Stallone que me marcaram, além do Rambo: os Rockys, O Juiz (que comprei o DVD), Daylight, Risco Total, Cobra, Falcão – O Campeão dos Campeões (a clássica frase “ser o segundo fede” marcou a gurizada, inclusive o Igor Martinez; e um conhecido uma vez virou o boné pra trás que nem o Lincoln Falcão antes de começar uma briga na saída da minha escola), além de Condenação Brutal (este é animal). Podem discordar à vontade, eu apenas prefiro os filmes dele (e admitam, Rambo II é ducara...).



 Voltando ao assunto do título, olhando Comando Para Matar, os absurdos que criaram o mito de fortão e invencível estão lá: Arnold carrega uma tora de madeira não tão grossa, olhando atentamente, mas de 5 metros num braço e a motosserra no outro. Em outra cena ele arranca o banco de um carro esporte sem esforço nenhum. Depois, na cena do shopping, levanta e vira uma cabine telefônica com um cara dentro, se livra de uns dez caras que estavam em cima dele com um empurrão. Os seguranças descrevem ele como um gigante de 2 metros de altura, mas quando chegam perto são todos do mesmo tamanho. Em seguida ele puxa com as mãos uma corrente com cadeado que trancava um portão e a corrente quebra. Depois, claro, pega uma M-60 e mata uns 140 inimigos sem levar um tiro. Na cena final arranca com as mãos um cano de ferro muito grosso e joga no inimigo, atravessando-o.
Assim, com exageros desse timbre, que são aceitáveis quando ele interpreta o T-101 da série Exterminador do Futuro, ele começou a se tornar o cara super-forte do cinema. Na época colava. Hoje o público não engole. E talvez por isso nunca mais surgiram heróis de filmes de ação como daquela safra de filmes 80-90, que contavam ainda com Chuck Norris (que depois do Texas Ranger desapareceu, a não ser pela lenda de feitos atribuídos a ele), Dolph Lundgren,Van Damme e Steven Seagal (estes três seguem fazendo filmes sem parar, mas são intragáveis). Cheguei a pensar que The Rock iria se destacar depois de Bem-vindo a Selva e Com as Próprias Mãos, mas não deu em nada...é muito canastrão até comparado a Arnold e Sylvester. Pelo menos o Bruce Willis, mais jovem, que começou em A Gata e o Rato, ainda salva a turma e o estilo. Duro de Matar 4.0 é massa, mesmo com as frias.Pelo menos ele s estão fazendo filmes juntos agora, como Os Mercenários - que é bem divertido até.
São outras épocas, os astros de ação não se firmam mais, e nem pegam o mesmo tipo de papel seguidamente com medo de, desculpe o trocadilho, queimar o filme.
Essa nostalgia é uma doença...  


[Este é um artigo  pseudo-jornalístico, informal e totalmente parcial.]

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